Uma mesa bem-posta deve contar com uma toalha limpa e bem passada, sobre a qual estarão pratos base (sousplats) que delimitam com precisão o espaço de cada convidado. Sobre eles, o prato principal e, se houver entrada, um prato menor. Os talheres são organizados de fora para dentro, na ordem de uso, com garfos à esquerda e facas à direita. As taças ficam no canto superior direito, começando pela de água, seguidas pelas de vinho. Arranjos e velas devem ser discretos, sem atrapalhar a interação entre os convidados. Os guardanapos, de dobra simples, podem ser dispostos sobre o prato ou à esquerda, alinhados aos talheres.

A porcelana deve ser fina, ou então porcelana europeia tradicional. Marcas como Limoges e Meissen são bem aceitas. Mas atenção: é preciso que o serviço seja completo para a refeição que será servida e, mais importante, que tudo se mantenha dentro de uma mesma harmonia.

– Não há nada mais chique do que uma mesa bem-posta!

Já para uma mesa elegante é preciso cordialidade na recepção. Buscar atender às necessidades dos convidados, caso haja alguma restrição alimentícia, é um gesto de atenção. Entender que as próprias necessidades não devem representar um trabalho extra para o anfitrião, mais ainda. Os pratos devem estar limpos, mesmo que eventualmente não fujam de alguma padronização. A conversa deve incluir cada convidado, cuidando para incluir aquele que não for conhecido como parte do grupo. Devem-se evitar assuntos que deixem alguém constrangido, mas, se por acaso algum tema sensível for exposto, deve-se oferecer atenção e acolhimento. É de bom tom ao anfitrião preparar-se para deixar todos satisfeitos, mas é igualmente digno que cada convidado lembre-se de que o jantar é mais uma celebração da amizade e do encontro do que uma simples refeição.

– Oferecer o seu melhor e respeitar o outro, compartilhando uma mesa, é sempre um gesto de elegância!

Uma pessoa chique possui um guarda-roupa versátil, com peças de boa qualidade, bom caimento e cores neutras que permitem combinações harmoniosas. Camisas bem-feitas, blazers estruturados, calças de alfaiataria e vestidos simples atravessam o tempo sem perder relevância. Veste-se, antes de tudo, com discrição. As cores tendem a ser neutras — branco, preto, azul-marinho, bege, cinza — porque permitem combinações equilibradas e evitam chamar atenção desnecessária. Há também um cuidado essencial com o ajuste. Roupas nem largas demais, nem apertadas. O caimento correto cria uma sensação de naturalidade, como se aquela peça pertencesse ao corpo de quem a veste. Muitas vezes, é o ajuste — e não a marca — que distingue o refinamento. Os acessórios seguem a mesma lógica: poucos e discretos. Um relógio clássico, um cinto simples, uma bolsa estruturada. Nada que precise ser anunciado.

Em eventos formais, como casamentos e jantares de gala, o correto é o uso de terno escuro ou smoking com camisa branca e sapatos de couro para homens, e vestidos longos ou midi em tecidos nobres para mulheres. No ambiente profissional, utilizam-se camisa, blazer, calça de alfaiataria e sapatos clássicos, ou vestidos estruturados. Em jantares e encontros sociais, o ideal é adotar um estilo casual sofisticado, com camisas bem cortadas, calças escuras e sapatos elegantes, ou vestidos simples com tecidos de qualidade. Já em ocasiões informais, como almoços ou passeios, a escolha recai sobre camisetas ou camisas básicas de boa qualidade, jeans escuros ou calças leves e tênis limpos ou sapatos casuais, mantendo sempre um aspecto cuidado.

– Saber escolher a roupa adequada para cada situação é essencialmente chique!

Uma pessoa que se veste elegantemente também faz escolhas. Muitas vezes, as mesmas de quem é chique. Em outras, aquelas mais adequadas dentre as suas possibilidades — buscando garantir sempre o asseio, a discrição e o cuidado em não chamar para si atenções desmedidas ou desnecessárias. Seja em casamentos, no trabalho, em eventos casuais, a elegância está mais do que no simples equilíbrio entre as peças, no bom caimento e na capacidade de adequação ao ambiente.

– A elegância está no cuidado com a autovalorização e na valorização do outro!

Isso vale para onde se mora. Uma casa chique é repleta de objetos e móveis que buscam demonstrar ou, ao menos, simbolizar um passado aristocrático, uma família a quem se honra o sucesso pregresso. Ser chique é mostrar-se bem-nascido. Já uma casa elegante preza pela construção de ambientes que, independentemente do valor ou origem dos objetos, permitem ao seu proprietário viver com conforto e dignidade e acolher com carinho aqueles que recebe e ama.

Ser chique ou ser elegante são conceitos que distinguem aqueles a quem são atribuídos. Distinções. Afagos no ego que acalentam.

Mas, mesmo podendo conviver harmoniosamente entre si em muitas das ocasiões, há uma diferença fundamental entre eles. Ser chique significa deter conhecimento e acesso a códigos rigorosos, sendo mais valorizado quanto mais exclusivo se mostra. A pessoa chique pertence ao clube dos que também são.
Ser elegante vai no sentido oposto. Ela surge da maneira como a pessoa aceita a si mesma e consegue, respeitando a individualidade alheia, posicionar-se com dignidade e confiança nas diferentes situações da vida.

 

O primeiro é um processo de busca de validação.

O segundo, um processo de oferta de validação.

Muita gente não se preocupa com isso. Essas pessoas não têm tempo para isso!

São pessoas que precisam trabalhar para ganhar o sustento diário, para garantir o alimento dos seus filhos ou protegidos. São pessoas que usam seu tempo para conseguir sobreviver. Matar um leão por dia.

Gastar tempo pensando em ser chique ou ser elegante é um luxo que não podem se dar, ou um supérfluo que não lhes faz sentido.

Quem é elegante entende isso! (e respeita essa pessoa como uma igual)