Eu prometo!
Eu prometo a ti, mas não somente, porque prometo principalmente a mim mesmo.
Ainda que a vida me desafie por caminhos que hoje sequer penso que possam existir, eu não vou mais errar!
Me recuso!
Não a recusa pueril, infante, enojada, de quem tem pelo erro desgosto.
Nem a recusa de quem teme, apavorado. Dessa última, boas razões eu teria para cultivá-la, porque, se há algo que a vida me trouxe, foi o massacre da culpa pelas minhas escolhas tresloucadas.
A culpa, a vergonha e as consequências.
Muito da minha vida gastei me lastimando pelos meus erros. Muito mais gastei tentando aos meus erros consertar. E este talvez tenha sido um dos meus erros mais doloridos…
Eu me recuso porque não suporto mais errar!
Já não tenho mais forças! Já não tenho mais como!
Então não posso mais errar!
Talvez lhe pareça que não errarei porque das incertezas da vida só se escapa renunciando a ela.
Não, ao contrário.
Renunciarei é ao erro!
A cada surpresa que a vida me trouxer, cada inusitado, cada reviravolta, por mais que isso destrua meus planos, meus sonhos, minhas estimativas, não mais chamarei de erro.
Decodificarei cada tombo, cada presepada, cada equívoco ou cabeçada como um conjunto de dados. Mais do que um alerta! Acrescentarei àquilo que eu da vida esperava ou sabia e mais de vida terei.
Ainda haverá o inconveniente. Mas chamarei de outra coisa, outro nome.
E aceitarei, humildemente, que às consequências não posso renunciar!
Ao renunciar ao erro, reconheço que não sou senhor do destino.
Não eliminarei os tombos e os equívocos. Mas posso evitar a tolice das cabeçadas.
Abraçarei as consequências antes mesmo de decidir e esperarei…
Aguardarei…
Farei torcida!
Mas sei que não vou mais errar!
Não existe mais o erro! Está ressignificado! Pronto!
Pronto…
Agora é só parar de incomodar…
